Entrevista exclusiva com Juliet Marillier
Juliet Marillier nasceu em 27 de julho de 1948, na Nova Zelândia. É escritora de livros de fantasia, principalmente histórica. Atualmente vive na região de Perth, na Austrália, onde trabalha integralmente como escritora. Enquanto Marillier escreve na maior parte das vezes para adultos, seus livros mais recentes incluem A Dança da Floresta e sua continuação, O Segredo de Cybele (ambos publicados no Brasil pela editora Prumo). O Segredo de Cybele ganhou o prêmio Sir Julius Vogel Award por melhor romance young adult (jovem adulto).
O texto abaixo contém SPOILER do livro A Dança da Floresta.

É realmente fantástico entrevistá-la, Juliet. Antes de tudo, meu sincero "obrigada" por seu tempo dedicado conosco. Agora, vamos às perguntas!
Fantasya: Seus livros mais conhecidos aqui no Brasil são "A Dança da Floresta" e sua continuação, "O Segredo de Cybele". Como a história se formou?
Juliet Marillier: Fui chamada por meu editor nos Estados Unidos para enviar uma proposta para uma novela (romance) que atraísse tanto o público adulto quanto o jovem. Antes disso eu só tinha escrito fantasia histórica para adultos. Eu sempre amei o conto de fadas das Twelve Dancing Princesses (Doze princesas dançarinas), dos Irmãos Grimm, e eu quis usar isso como a base para o romance que se tornou A Dança da Floresta [pesquisar preços]. Eu tive a ideia que também gostaria de utilizar o conto da Princesa e o Sapo, mas ao invés da princesa odiar o sapo, apenas o amando quando ele se torna um homem, eu pensei em ter um laço de amor mais próximo entre menina e sapo, mas que acaba dando tudo errado quando ele se torna um homem! Isso pareceu mais lógico. A Dança da Floresta cresceu de uma combinação de duas ideias. Eu escolhi a Transilvânia como cenário porque imaginei que o folclore negro da região iria se adaptar à história. Antes, eu havia escrito livros com muita mitologia célta, e também uma série baseada nas tradições Nórdicas.
O Segredo de Cybele [pesquisar preços] cresceu em A Dança da Floresta. Eu gostei da família de cinco irmãs e queria dar uma chance às mais novas de terem suas próprias histórias. Como eu havia feito seu pai um mercador, não foi difícil ter Paula o acompanhando numa viagem à Istambul, um eixo de comércio na região durante aquele período, e cair numa aventura própria.
Quando você começou a escrever e por quê?
Eu escrevo desde que tinha sete anos. Minha primeira história era sobre robôs assassinos, e era bem violento! Eu escrevi muitas histórias até o momento que iniciei meus estudos na faculdade. Depois disso, usei minhas habilidades de escrita para trabalhos acadêmicos, e então em trabalhos gerais. Eu não voltei a escrever ficções sérias até bem mais tarde. (Eu estava com 40 anos quando escrevi meu primeiro romance, A Filha da Floresta [tradução de Portugal]). Eu escrevo porque amo escrever. Eu tenho histórias que eu desejo contar e ideias que desejo compartilhar.
Esta é uma pergunta que sempre quis fazer; Algumas de suas personagens são doces, gentis e amorosas. Outras são odiosas! Você já se apaixonou, no sentido fraternal da palavra, ou acabou por odiar alguma de suas criações?
Eu nunca realmente odiei nenhuma de minhas criações, embora algumas delas ajam de maneiras bem desagradáveis! Eu tento dar razões aos maus personagens por seu comportamento, então faz sentido dentro das normas culturais da época (por exemplo, numa sociedade patriarcal, alguns homens vão assumir que precisam tomar todas as decisões das mulheres.) Existem algumas personagens que eu realmente amo, e desejo que fossem reais. Stoyan (em O Segredo de Cybele) é um deles. E eu gostaria de ter um Gogu de verdade!
Por que literatura fantástica?
Eu escrevo da maneira que o faço porque eu sempre amei mitos, lendas e contos de fadas.Quando era pequena eu os lia o tempo inteiro, e cresci em uma família onde contavam muitas histórias. Eu realmente não me delimitei escrever fantasia, mas quando decidi escrever um romance, acabou tomando este rumo. Também acredito no poder das histórias tradicionais para ensinar e curar. No período antes da iluminação artificial, pessoas se juntavam em volta de uma fogueira durante a noite e contavam lendas, e essas lendas faziam sentido nos desafios da vida, ajudando as pessoas a não temer o desconhecido, dando às pessoas orientações para viver a vida delas bem. Este é o tipo de história que eu gosto de escrever.
Seus sonhos de quando começou a escrever se tornaram realidade, ou ainda há algo faltando?
Eu não acho que tenha algo faltando. Estou feliz que posso ganhar o sustento fazendo o que mais amo, e estou muito feliz que todos os meus leitores pareçam gostar tanto dos livros! Eu sim gosto de desafiar a mim mesma com novos projetos e novas formas de escrita, então os caminhos à frente não são previsíveis.
Tem algo que você gostaria de dizer aos seus fãs brasileiros?
Eu estou absolutamente maravilhada que dois de meus romances estão agora disponíveis do Brasil, e espero que alguns dos outros possam ser publicados aí também. (Descobri que o português do Brasil é um tanto diferente do tipo falado em Portugal, então as edições portuguesas de meus livros podem não ser as certas para vocês.) Eu estou feliz de ouvir que os leitores brasileiros estão interessados em minha escrita! Talvez eu vá aí numa visita num dia.
Um livro: A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafon
Uma música: Bonny Portmore , de Lorena McKennitt (do CD The Visit)
Uma das 4 estações: Inverno
Um dia especial em sua vida: O nascimento da minha primeira criança
Uma frase: "Cachorros não são para a nossa vida toda, mas eles fazem nossas vidas, eternas." - Roger Caras
Um sonho: Caminhar pela floresta na Nova Zelândia - o chamado alto dos pássaros, a luz nas samambaias, a cobertura das árvores antigas.
Entrevista realizada e traduzida por Marina Avila em 17/06/2009, via e-mails.
O texto abaixo contém SPOILER do livro A Dança da Floresta.

É realmente fantástico entrevistá-la, Juliet. Antes de tudo, meu sincero "obrigada" por seu tempo dedicado conosco. Agora, vamos às perguntas!
Fantasya: Seus livros mais conhecidos aqui no Brasil são "A Dança da Floresta" e sua continuação, "O Segredo de Cybele". Como a história se formou?
Juliet Marillier: Fui chamada por meu editor nos Estados Unidos para enviar uma proposta para uma novela (romance) que atraísse tanto o público adulto quanto o jovem. Antes disso eu só tinha escrito fantasia histórica para adultos. Eu sempre amei o conto de fadas das Twelve Dancing Princesses (Doze princesas dançarinas), dos Irmãos Grimm, e eu quis usar isso como a base para o romance que se tornou A Dança da Floresta [pesquisar preços]. Eu tive a ideia que também gostaria de utilizar o conto da Princesa e o Sapo, mas ao invés da princesa odiar o sapo, apenas o amando quando ele se torna um homem, eu pensei em ter um laço de amor mais próximo entre menina e sapo, mas que acaba dando tudo errado quando ele se torna um homem! Isso pareceu mais lógico. A Dança da Floresta cresceu de uma combinação de duas ideias. Eu escolhi a Transilvânia como cenário porque imaginei que o folclore negro da região iria se adaptar à história. Antes, eu havia escrito livros com muita mitologia célta, e também uma série baseada nas tradições Nórdicas.
O Segredo de Cybele [pesquisar preços] cresceu em A Dança da Floresta. Eu gostei da família de cinco irmãs e queria dar uma chance às mais novas de terem suas próprias histórias. Como eu havia feito seu pai um mercador, não foi difícil ter Paula o acompanhando numa viagem à Istambul, um eixo de comércio na região durante aquele período, e cair numa aventura própria.
Quando você começou a escrever e por quê?
Eu escrevo desde que tinha sete anos. Minha primeira história era sobre robôs assassinos, e era bem violento! Eu escrevi muitas histórias até o momento que iniciei meus estudos na faculdade. Depois disso, usei minhas habilidades de escrita para trabalhos acadêmicos, e então em trabalhos gerais. Eu não voltei a escrever ficções sérias até bem mais tarde. (Eu estava com 40 anos quando escrevi meu primeiro romance, A Filha da Floresta [tradução de Portugal]). Eu escrevo porque amo escrever. Eu tenho histórias que eu desejo contar e ideias que desejo compartilhar.
Esta é uma pergunta que sempre quis fazer; Algumas de suas personagens são doces, gentis e amorosas. Outras são odiosas! Você já se apaixonou, no sentido fraternal da palavra, ou acabou por odiar alguma de suas criações?
Eu nunca realmente odiei nenhuma de minhas criações, embora algumas delas ajam de maneiras bem desagradáveis! Eu tento dar razões aos maus personagens por seu comportamento, então faz sentido dentro das normas culturais da época (por exemplo, numa sociedade patriarcal, alguns homens vão assumir que precisam tomar todas as decisões das mulheres.) Existem algumas personagens que eu realmente amo, e desejo que fossem reais. Stoyan (em O Segredo de Cybele) é um deles. E eu gostaria de ter um Gogu de verdade!
Por que literatura fantástica?
Eu escrevo da maneira que o faço porque eu sempre amei mitos, lendas e contos de fadas.Quando era pequena eu os lia o tempo inteiro, e cresci em uma família onde contavam muitas histórias. Eu realmente não me delimitei escrever fantasia, mas quando decidi escrever um romance, acabou tomando este rumo. Também acredito no poder das histórias tradicionais para ensinar e curar. No período antes da iluminação artificial, pessoas se juntavam em volta de uma fogueira durante a noite e contavam lendas, e essas lendas faziam sentido nos desafios da vida, ajudando as pessoas a não temer o desconhecido, dando às pessoas orientações para viver a vida delas bem. Este é o tipo de história que eu gosto de escrever.
Seus sonhos de quando começou a escrever se tornaram realidade, ou ainda há algo faltando?
Eu não acho que tenha algo faltando. Estou feliz que posso ganhar o sustento fazendo o que mais amo, e estou muito feliz que todos os meus leitores pareçam gostar tanto dos livros! Eu sim gosto de desafiar a mim mesma com novos projetos e novas formas de escrita, então os caminhos à frente não são previsíveis.
Tem algo que você gostaria de dizer aos seus fãs brasileiros?
Eu estou absolutamente maravilhada que dois de meus romances estão agora disponíveis do Brasil, e espero que alguns dos outros possam ser publicados aí também. (Descobri que o português do Brasil é um tanto diferente do tipo falado em Portugal, então as edições portuguesas de meus livros podem não ser as certas para vocês.) Eu estou feliz de ouvir que os leitores brasileiros estão interessados em minha escrita! Talvez eu vá aí numa visita num dia.
Um livro: A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafon
Uma música: Bonny Portmore , de Lorena McKennitt (do CD The Visit)
Uma das 4 estações: Inverno
Um dia especial em sua vida: O nascimento da minha primeira criança
Uma frase: "Cachorros não são para a nossa vida toda, mas eles fazem nossas vidas, eternas." - Roger Caras
Um sonho: Caminhar pela floresta na Nova Zelândia - o chamado alto dos pássaros, a luz nas samambaias, a cobertura das árvores antigas.
Entrevista realizada e traduzida por Marina Avila em 17/06/2009, via e-mails.
Marina Avila
Administradora
Fantasya.com.br
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