Mensagem Qui Set 17, 2009 11:05 pm

Entrevista exclusiva com Victor Maduro

Natural de Ipatinga-MG, desde criança fascinado com a "fantasia" em suas várias facetas: livros, RPG, filmes, desenhos como Caverna do Dragão, e animes. Sempre envolvido com o mundo das letras, publicou contos em jornais da medicina, informes internos e numa antologia de contos medievais. Atualmente com 24 anos, cursando a Faculdade de Medicina da UFMG. Esse é o primeiro romance, e certamente irá encantar todos os leitores!
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Fantasya: Victor, como surgiu a história de seu livro? Você foi inventando aos poucos ou foi uma explosão em sua mente?
Victor Maduro: A história foi realmente surgindo aos poucos, e se eu citar aqui as duas fontes que geraram o embrião de tudo, niguém acreditaria: Sandman, do Neil Gaiman, e o filme Encontro Marcado, com Brad Pitt. É lógico que se você for avaliar meu livro vai ver que não se parece muito com essas duas obras, o que sugere o quanto a história foi sofrendo alterações em minha mente. Eu já estava cansado desses livros clichês de fantasia medieval, em que o rapaz sai da vila em busca de um artefato mágico para destruir o mal que assola o mundo, então resolvi fazer algo diferente. Meu herói é simplesmente um rapaz que sai numa jornada em busca de seu filho. Até então, eu não conhecia nenhuma obra nesse gênero com um mote assim (e ainda não conheço). Ao mesmo tempo, também estava cansado desses protagonistas fracotes, bundões, e que só sabem chorar e reclamar, de modo que Vanhardt, o herói do "Além da Terra do Gelo", é o filho de uma deusa, no melhor estilo Hércules.

Você pretende fazer outros livros do estilo, ou até mesmo continuações?
 Sim, com certeza o Além da Terra do Gelo tem continuações. Estou escrevendo o segundo volume, chamado "Guerras Divinas", e os leitores se surpreenderão muito com inúmeras revelações e reviravoltas. Já adianto que nele, Léia vai assumir a identidade de deusa da morte... Tenho também outros projetos de livros de fantasia, mas em cenários diferentes. Apesar disso, o outro livro que estou escrevendo em paralelo ao segundo volume do "Além da Terra do Gelo" se chama "Os Dez Nomes", e nada tem de fantástico. É a história de um jovem que tem de lutar para impedir seu melhor amigo de assassinar dez pessoas, cujos nomes ele escreveu em uma lista.

Apesar de também gostar de outros gêneros, quando começou seu interesse pela fantasia?
Imagino que desde muito cedo já vem o interesse por fantasia. Na verdade, a primeira mídia que me chegou ao conhecimento, e que tem muito de fantasia, é o famigerado desenho "Caverna do Dragão". Até hoje acredito ser um dos melhores desenhos já criados, e isso sem contarmos a época em que foi desenvolvido, durante os anos 80. Vários filmes como "A Lenda", com Tom Cruise, "Willow na terra da magia", "História sem fim", também povoaram a minha infância. Já em matéria de literatura, os primeiros livros do gênero foram alguns da série Vagalume. Depois disso surgiu o envolvimento com o RPG, e daí o conhecimento dos livros de Tolkien, passamos para um patamar de literatura mais adulta... Acho que o que se deu comigo certamente se deu com várias outras pessoas que também gostam do gênero.

Quais são seus autores preferidos? Eles influenciaram de alguma forma a sua escrita?
Quanto a autores nacionais, certamente o meu preferido é Machado de Assis. Acredito que a forma que ele consegue construir personagens é muito especial, suas reflexões, seus questionamentos, desejos, não-desejos, acabam transportando o leitor para um mundo de uma verossimilhança tão intença que muitas vezes é mais real que a realidade. Quanto a técnica narrativa também vemos um domínio completo, sabe brincar com as palavras, com o texto, numa fluidez única e precisa.
Já quanto autores internacionais, gosto muito de Dosteoievsky, que também apresenta esse caráter intenso na construção de personagens, mas imagino que ta;vez a maior influência é J. K. Rowling. Apesar de vários "críticos" de literatura realmente "criticarem" a autora, me identifico muito com a facilidade que ela teve para criar um mundo completamente diferente, porém paralelo ao nosso. Além disso ela conseguiu construir uma gama imensa de personagens, muito carismáticos e com personalidades distintas, e certamente seus livros não são tão clichês quanto outros do gênero que vemos por aí. Só acho que ela perdeu muito o ritmo nos dois últimos livros da série, mas enfim...
Sobre a influência, certamente esses autores tiveram participação no que me entendo por escritor. Não só estes citados, mas indubitavelmente toda obra que você lê, acaba absorvendo um pouco do autor. Literatura é isso; toda sua experiência de vida, tudo aquilo que você acredita, desacredita, que tem familiaridade, medo, paixão, acaba refletindo na sua escrita. Escrever é reescrever.

Sobre os locais fantásticos, você gosta de detalhá-los ou deixar o leitor exercitar a criatividade?
No livro "Além da Terra do Gelo", podemos encontrar as imensas planícies da Terra do Gelo, onde tempestades de neve castigam a região durante todo o ano, criaturas grotescas como Crivmarions e perigosos lobos das estepes espreitam os viajantes incautos. No centro do continente acompanhamos as misteriosas Florestas Sagradas do Norte, e as Florestas Sagradas do Sul, onde discípulos de Laodicéia, a deusa da natureza, promovem seus rituais e se defendem dos invasores. O continente de Kether também apresenta seu imenso deserto no reino de Jozan, onde tribos nômades disputam espaço com deuses menores, como Melodevos, que por meio da música fazem de suas vítimas escravos para sempre. Vale ainda citar locais como o Coliseu de Kether, onde a cada século, guerreiros de todo o continente se degladiam em busca do prêmio maior, um desejo concedido pelos deuses. A Ilha Nautilia, o Castelo de Avendorh, o pequenino e escondido Reino de Dantroux, o Templo Dourado, são todos lugares onde criaturas místicas, deuses, duendes, guerreiros e feiticeiros irão participar dessa saga magnífica e fantástica, envolvendo os protagonistas: a deusa do gelo, e seu filho, Vanhardt.

Você gostou do sistema de cooperação editora/autor? Acha que esse é um bom meio para novos autores terem seus livros publicados?
Veja bem... Pra quem não sabe, basicamente existem duas maneiras de se publicarem livros no Brasil (existem outras mas são variações dessas duas).
Na primeira delas, a tradicional, você manda seu original para as editoras, e uma delas topa publicar seu trabalho. Nesse caso, a editora arca com todas as despesas relativas ao livro, cuida da impressão, da distribuição etc. Nesse caso, o autor fica com apenas um percentual no preço de capa (algo que varia em torno de 7-10%).
Já na segunda maneira, que pode ser chamada de "por demanda", o autor paga para uma editora imprimir uma quantia X de exemplares. Assim, os custos acabam ficando nas costas do autor, mas ele receberia todo o valor correspondente ao preço de capa. Num primeiro momento pode até parecer vantajoso, mas se parar pra ver, é o autor que tem que se encarregar de toda a distribuição e de toda a venda do livro.
No caso, eu optei pela segunda opção, pois não tive a sorte de nenhuma editora querer publicar o livro por conta dela. Acreditei e acredito no potencial da obra, e por isso resolvi assumir todos os custos. Minha relação com a editora sempre foi transparente, e adequada em todos os sentidos, mas agora minha maior dificuldade é justamente conseguir uma distribuição para os livros. Sem ser pela internet, praticamente o livro só é vendido em Ipatinga, em livrarias convencionais.
Para um jovem autor essa acaba sendo muitas vezes a única forma de ver seu livro publicado. É um mercado apertado, e nem sempre as editoras tem o cuidado de avaliar sua obra por completo pra saber se vale a pena ou não publicar; o que significa que muitas obras ótimas não seriam publicadas se não fosse por essa maneira.

Entrevista realizada por Marina Avila em 30/03/2009, via e-mails.

Página Oficial Além da Terra do Gelo
Marina Avila
Administradora
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